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retorna - guia de patuá

 
um texto em patuá por
Mariazinha Lopes Carvalho
 
O patuá ou patois é um dos itens que representa a cultura macaense.  Em São Paulo, é utilizado em peças teatrais, textos para celebrar datas comemorativas, saudações e etc.
Num dos costumeiros encontros de membros da Terceira Idade e aposentados, que habitualmente são realizados na Casa de Macau de São Paulo, ou num restaurante chinês, Mariazinha Carvalho, uma das principais organizadoras desses eventos, homenageou a entrada do presidente da Casa neste clube.
Assim, no dia 15 de fevereiro de 2006, Júlio Augusto Airosa Branco (Totó) presente nesse convívio e confraternização, foi saudado com este texto de autoria da Mariazinha (veja mais abaixo o seu perfil):
 
 

Tudo jóvi-jóvi di Casa di Macau

 

Nosso chistoso amigo Tótó ta fazê 65  primavéra  no dia 19 (Fevereiro).  Como hoji nôs tudo já vêm chapado pa estunga almoço di 3a. idade, nôs querê aproveitá tamêm festejá estunga dia  desejá pa ele más ano bom di vida, inchido di saúde e felicidade.  Sapeca nunca sã importánti, si faltá, sã comê arroz co hám-yi, nádi morê di fómi.

 

Nôs rezá pedi bença di Sinhor pa vôs e vossa família, Dios lôgo uví, lôgo dá.

 

Pa quim non sábi, Tótó sã filo di meo-meo ngâu-sôk com maquista com unchinho di china, non pôde negá  qui nosôtro têm sangue china corê na nossa veia, quim têm más, quim têm menos, e tamém ne bom isquecê....coraçám brasiléro...... porque nôs escolhê estunga terra pa vivê.   Em outras palavras, Tótó,  desculpa iou-sa  atrevimento,  vôs sã unga vira lata....

 

Papá/Mamá já batizá ele com nómi di Julio Augusto Airosa Branco. 

Genti pergunta “quim sã? quim sã?”, ninguén sábi.  Ah mas si falá “Tótó” tudo genti sábi.  Genti antigonso di Macau  conhecê como Filo di Sargento Branco...

 

Sã unga rapaz socegado, nunca sã feio, branco qui branco com cabelo avermelhado, hoji, coitado só têm unchinho fiozinho ralo qui ralo.

 

Com Ama na casa, cêdo-cêdo já aprendê papiá china.  Capaz pronunciá bemfêto “Tchin-tôi” com “Chôn-tói” nunca trucá palavra. Jóvi estuda na Liceu já aprendê  “Parlez-vous Francez”.  Cava já vai “Ông-Công”  trabalhá, qui capaz tesá inglês “Yes I can do”   “No I cannot do”. 

Qui azinha tempo já passá nunca-sã? Agora ta fazê 65 ano, já intra na 3a. Idade, mas ne bom têm mêdo Tótó, ten tanto ancuza bom pa nôs, exemplo:

 

1)                        Senta bus non precisa pagá, vai cinema pagá metade preço.

2)                        Non precisa impê nunga bicha cumprido qui cumprido no banco e no supermercado, têm bicha curto qui curto pa nôs.

3)                        Têm estunga “Estatuto para Idosos” qui protegê nosôtro, exemplo, si alguém batê na vôs, azinha vai sentá prisám.

4)                        Tiffin na Liberdade pa 3a. Idade agora só pagá R$5,00.

5)                        Fim destunga ano lôgo recebê pisente di Natal di Casa di Macau, j´ólá?.

6)                        Isperá unchinho na más quando chegá 80 ano, na festa di Ano Novo China, tem genti “châm chá” pa vôs bebê, qui sorti..

 

Assim Tótó nosôtro tudo hoji abrí nosso coraçám e braço pa recebê vôs no nosso team di 3a. Idade.  Vôs sã unga di nôs agora, com drêto di “GOZÁ” di tudo ancuza bom di vida.  Mas “GOZÁ-GOZÁ”  mesmo, no bom sentido, só Judite é qui sábi.

 

            Parabéns Tótó, Dios dá tanto graça

            Muito ano di vida com saúde e felicidade

 
Nota do editor:
Vira-lata, no Brasil refere-se a cães mestiços sem raça definida.
Em São Paulo, as pessoas da Terceira Idade viajam nos autocarros, metropolitanos, de graça.  Em filas de bancos, supermercados etc. têm a preferência de atendimento, ou, uma própria para elas.
Os membros da Terceira Idade nos convívios destinados a eles, com almoço na Casa de Macau, não pagam nada.  Em restaurantes chineses são subsidiados pela Casa, pagando apenas um valor simbólico.
Motivo da referência no texto.
 

Totó, o ingresso na terceira idade
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Mariazinha, a 2a. de pé, a contar da esquerda, escreveu o texto em patuá

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Mariazinha em vistoso cheong sám ganhou o 2º prêmio no concurso de trajes

Mariazinha Carvalho, um perfil feito pelo autor do PMM:
 
Seu nome, Maria Conceição A.Lopes M. Carvalho, ou, simplesmente, Mariazinha.
Falar dela, é lembrar o patuá.  Mariazinha é uma das maiores autoridades em patuá, em São Paulo.  Para fazer justiça tenho que citar também o Armando Ritchie e o saudoso Leonel Luís.
Mariazinha é autora de diversas peças teatrais que foram realizadas na Casa de Macau de São Paulo, sem distinção de diretoria, qual seja ela. Textos para saudar datas comemorativas, como Dia dos Pais, o Natal, lá vai a Mariazinha a prepará-los.
Nos encontros próprios para os membros da Terceira Idade na Casa de Macau, está lá sempre a Mariazinha a entretê-los, com alguma apresentação, peça teatral ou textos em patuá, para lembrá-los das coisas de Macau.  Tanto que é muito admirada pela gente da Terceira Idade,  por esses trabalhos e pelas visitas pessoais para confortá-los, dar algum apoio ou simplesmente para dizer um olá.
Todo novo presidente da Casa que queira recorrer ao patuá para lembrar a nossa cultura, chama a Mariazinha.
Hoje, um tanto limitada pela visão, embora já tenha recuperado bem, ainda utiliza o computador para preparar os seus trabalhos de patuá.
Consciente da preservação das suas peças teatrais, procurei várias vezes convencê-la a deixar que esses trabalhos fossem publicados num livro, que poderia ser patrocinado por alguma entidade ou particular.  Julgo que não seria difícil.  É por uma boa causa macaense.
No entanto, algumas dessas peças foram gravadas em videos VHS que poderão ser divulgadas dentro das possibilidades.
Mariazinha, você que relutou em escrever algo de si, eu o fiz para saudá-la pelo excelente trabalho para preservação do nosso patuá na Casa de Macau de São Paulo.
Rogério P.D.Luz
autor do PMM