PROJECTO MEMÓRIA MACAENSE

O NOSSO PATUÁ

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PATOIS OU PATUÁ
A autêntica Cultura Macaense
Um património Macaense a ser preservado

Falar do patois ou patuá, tanto faz, seria um pouco arriscado para mim.  Vou deixar para quem possa dar uma melhor definição dele. 
Posso sim dizer que, este "papiá di Macau" é o que mais representa a nossa Cultura Macaense.  Como estou no Brasil e em São Paulo, aos brasileiros que muito interessam por esse jeito "exótico" de falar, como definiu um visitante brasileiro no Livro de Visitas, assimila-se muito ao português caipira do Estado.
Lembro das palavras do Dr. Henrique Senna Fernandes, quando da sua visita a São Paulo, em resposta ao meu pedido de opinião a respeito do Coral da Casa de Macau, "é preciso cantar canções em patuá, para preservar a nossa cultura macaense".
Portanto, o Projecto Memória Macaense faz um apelo aos Macaenses - PRESERVEM O NOSSO PATOIS.  O portal está aberto a quem puder contribuir com qualquer material.  Reconhece como extremamente valioso o trabalho desenvolvido pelo Doci Papiaçam di Macau e do Dr. Miguel Senna Fernandes, em peças teatrais, música, além do dicionário do patois, no sentido de preservação e divulgação desse jeito antigo de falar em Macau.
E, para falar do patois, nada melhor que falar do cd Doci Papiá di Macau, do nosso poeta JOSÉ DOS SANTOS FERREIRA, o ADÉ, que ora o PMM passa a divulgar.
Rogério P.D.Luz
 

ade.jpg

Dedicatória escrita por Hélder Fernando no cd (não há registo da data em que foi escrita)

 

"Este disco fala duma terra pequena, muito distante de tantas outras terras onde também ainda se fala português. Uma terra amada e amante, no Sul da Grande China, que foi crescendo, que está crescendo. conquistando espaço por entre o delta do Rio das Pérolas.

Macau é o nome dessa pérola. Onde ainda resiste quem fale e cante numa açucarada e risonha expressão de origens mestiças - chinesas. malaias, africanas, inglesas, espanholas. essencialmente de matriz portuguesa. A dóci papiaçám.

Mas este disco fala também dum povo. O povo macaense, pluricontinental, cruzado a Oriente e a Ocidente, patriota por Portugal.

Um povo que encerra em si mesmo as sensibilidades extremas da autêntica Babel que é a sua raiz. Inventor do patoá, crioula realidade linguística que durante séculos foi o vocabulário familiar, inclusivamente usado por chineses, por africanos e por asiáticos de várias origens. Língua de Macau. imenso campo de estudo para tantos investigadores, hoje quase extinta.

Grande mérito, portanto, de todos aqueles que por diversas formas e tanto entusiasmo, conseguem manter vivo o inesquecível papiá cristãm.

Daí o grande interesse deste documento sonoro que a TRADISOM imaginou com carinho, e produziu para a nossa colecção 'Poetas de Macau'. A figura central desta rara reunião de sons em patoá, é JOSÉ DOS SANTOS FERREIRA. por todos conhecido como ADÉ. Um dos mais ilustres poetas macaenses, aquele que mais e melhor cantou, contou e encantou as suas gentes, a sua terra.

ADÉ partiu a 24 de Março de 1993. Grande parte da sua vida dedicou-a a conceber. Construir, ensaiar espectáculos vários, peças de teatro, récitas. operetas, poesia e prosa. contando e cantando a sua amada Macau.

Também através dos jornais, dos livros que publicava, dos programas de Rádio. E é precisamente à Rádio Macau e a uns quantos que nela trabalham, que se fica devendo o registo guardado destas memórias, protagonizadas neste disco por JOSÉ DOS SANTOS FERREIRA.

Para este trabalho chegar agora às vossas mãos, foi necessário ouvirmos sempre emocionados, dezenas de horas de gravações, dezenas de vezes. Para as seleccionar, de modo a mostrar as mais importantes facetas artísticas de ADÉ, para Ihes melhorar o registo, para as sonorizar. Afinal para Ihes bebermos o sortilégio. o chiste, a ternura, o sentido.

Para também ficarmos. com orgulho, um pouco mais macaenses."

 

Clicar na seta abaixo para ouvir a canção Dóng Dóng Sium Capitam, com a participação de Adé e amigas(os).  Acompanhe com as letras logo mais abaixo.

DÓNG DÓNG, SIUM CAPITAM

 (História com leve toque brejeiro. contando a tentativa de aproximação dum galo-dôdo. da sua pretensa conquista...). Gravado em Março de 1989.

 

Dóng dóng-dóng. dóng-dóng Sium Capitám.

Ispada na cinta Co rota na mám.

 

Ade tá guní Já cai na quintal.

Chácha vêm cudí.

Suzá su avental

 

Balichám salgado.

Tacho ta fritá;

Nôs pobre-limpado.

chubí pám tocá.

 

Drêto sã Mui-Mui.

Co róta rutiá;

Nhum olá amui, Senti mám cuçá

 

Chico papaia perna can-can Nhónha erguí saia, Chico cai na chám.

 

Fula larangéra Noiva sã botá;

Quim fazê asnéra, Su fula muchá.

 

lou subí travéssa, olá amui co nhum; Nhum passá cabéça, Ficado murúm.

 

Mám chipí pê fêde, Azinha lavá;

ai qui ramédi.

si nós vai tcherá.

 

Quim querê pa vôs, Chico bóca-grándi, lou ta dá co dôs.

Asnéra grándi-grándi.

 

Dóng dóng-dóng, dóng-dóng

 
Do CD - Poetas de Macau, da TRADISOM.  Nossos agradecimentos pela permanente autorização para reprodução de seus CDs.  Adquira o disco pelo site da produtora. 

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30.08.07