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O RESTAURANTE CAFÉ RUBY foi
um dos antigos
pontos de encontro da nossa malta,
como tantos outros. "Sente-se, tome um café"
e relaxe, como uma pausa, após o seu passeio pelo meu portal, que agradeço. Aproveite, e dê uma olhada no conteúdo e os links desta página.
Bom descanso!!!
EXTRA
Ouça a canção JARDIM DE SÃO FRANCISCO com a Tuna Macaense,
do cd Titi Bita di Lilau, clicando a seta abaixo.
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EXPERIÊNCIA ... QUAL EXPERIÊNCIA ???
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A redacção que se segue foi escrita por um candidato numa selecção de Pessoal
na Volkswagen. A pessoa foi aceite e o seu texto está a fazer furor na Internet, pela sua criatividade e sensibilidade. Já
fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha
que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi
atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; ja estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda
sigo caminhando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito
apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma arvore
para roubar fruta, já caí por uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa
de banho por algo que me aconteceu; ja fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, ja fiquei só no meio de mil pessoas
sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na piscina e
não quis sair mais, já tomei whisky até sentir meus lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei
o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci
novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar. Já apostei a
correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre,
mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei
por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente
da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência....
"Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência? Agora...
agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário: " - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
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HISTÓRIAS VIVIDAS E CONTADAS
Um livro de António J.E. Estácio (Portugal). Tem 120 contos, que trazem belas recordações
de MACAU. Da colecção Vivências de Livros do Oriente. Recomendo.
Agradecimentos ao amigo Estácio pela autorização para a reprodução deste conto.
A venda
da Fortaleza
Uma das histórias
mais correntes em Macau será, sem dúvida, a ocorrida na década de sessenta e que se prende com a tentativa de venda de uma
das fortalezas, quando era comandante militar o coronel Eduardo Luís de Sousa Gentil Beça1.
Quanto à fortaleza
em si, correm duas versões, havendo quem relacione o facto com a do Monte, enquanto, outros defendem ter sido a da Barra.
Tanto quanto consegui apurar, junto de fonte fidedigna, tratou-se, efectivamente, da tentativa de venda da Fortaleza da Barra,
onde se encontra instalada a Pousada de S. Tiago.
Envolveu um
construtor civil, de etnia chinesa, interessado em adquirir um terreno para construção e que foi descrito ao comandante Militar,
como tratando-se de alguém muito apreciador da história militar portuguesa e desejoso de poder visitar a Fortaleza da Barra.
Obtida a necessária
autorização para a visitar, o interessado mostrou-se satisfeito e manifestou ao prestável intermediário a intenção em avançar
com o negócio. Este comprometeu-se a arranjar-lhe um encontro com o comandante militar e, para tal, com o pretexto de agradecer
o facto de este ter proporcionado a visita, convidou-o para um jantar alegando que, reconhecido, o dito construtor pretendia
obsequiá-lo. Sem desconfiar de nada, o coronel Beça anuiu e, logo ali, foi acordada a data, a hora e o local do repasto,
No dia aprazado
compareceram e, visto que nem o Comandante militar nem o construtor dominavam uma língua comum, foi o intermediário que serviu
de elo de ligação entre ambos. O construtor estava impaciente e, às tantas, quis saber se o comandante militar estava ou não
disposto a efectuar a venda da Fortaleza. Interrogou o intermediário que foi peremptório e, para acalmar o seu interlocutor,
virou-se para o coronel Beça perguntando-lhe se estava a gostar do jantar. Como não podia deixar de ser, até por mera questão
de boa educação, a resposta foi imediata e afirmativa. De pronto, o intermediário disse ao construtor que o assunto estava
arrumado o que, naturalmente, o deixou muito satisfeito.
No entender
do intermediário, não era ocasião adequada para, ali, ser estabelecido o montante exacto da transacção, tendo feito notar
ao construtor que, no entanto, seria preciso pagar, como sinal, uma quantia, para além de ficar sempre bem a oferta de uma
boa lembrança ao comandante militar. O construtor manifestou a sua total concordância e, no final do repasto, despediu-se
efusivamente do coronel Beça e, depois de ter pago a conta, abalou do restaurante na companhia do intermediário.
Passados dias
o construtor entregou ao intermediário a quantia que deveria servir como sinal, para além de uma outra destinada à aquisição
de uma boa lembrança.
Só muito mais
tarde o comandante militar veio a saber da marosca, tendo sido instaurado ao intermediário um processo o qual culminou com
a sua condenação em Tribunal, o que o obrigou a ter que cumprir, em Timor, uma pena de prisão maior.
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Leia o texto abaixo. Emocione-se. Conscientize-se.
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A Boneca
Corri ao mercado para comprar uns presentinhos,
que eu não havia conseguido comprar antes.
Quando
eu vi todas aquelas pessoas no mercado, comecei a reclamar comigo mesma: "Isto vai demorar a vida toda, e eu ainda
tenho tantas coisas para fazer, outros lugares para ir.
Como eu gostaria de poder apenas me deitar,
dormir e só acordar após tudo isso." Sem notar, eu fui andando até a seção de brinquedos, e lá eu comecei a bisbilhotar
os preços, imaginando se as crianças realmente brincam com esses brinquedos tão caros.
Enquanto eu olhava a seção de brinquedos,
eu notei um garoto de mais ou menos 5 anos pressionando uma boneca contra o peito. Ele acarinhava o cabelo da boneca e olhava
tão triste, e fiquei tentando imaginar para quem seria aquela boneca que ele tanto apertava.
O menino virou-se para uma senhora próximo
a ele e disse: "Vovó, você tem certeza que eu não tenho dinheiro suficiente
para comprar esta boneca?" A senhora respondeu: “ Você sabe que o seu dinheiro não é suficiente, meu querido!"
E ela perguntou ao menino, se ele poderia ficar ali olhando os brinquedos por 5 minutos, enquanto ela iria olhar outra coisa.
O pequeno menino estava segurando a boneca
em suas mãos. Finalmente eu comecei a andar em direção ao garoto e perguntei para quem ele queria dar aquela boneca
e ele respondeu: "Esta é a boneca que a minha irmã mais adorava, e queria muito ganhar. Ela estava tão certa que o Papai daria
esta boneca para ela este ano.
Eu disse: "Não fique tão preocupado, eu acho
que ele irá dar a boneca para sua irmã." Mas ele triste me disse: "Não, o Papai
não poderá levar a boneca onde ela está agora. Eu tenho que dar esta boneca pra minha mãe, assim ela poderá dar a boneca à
minha irmã, quando ela for lá."
Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto
ele falava: "Minha irmã teve que ir embora para sempre.
O papai me disse que a mamãe também irá embora
para perto dela em breve. Então eu pensei que a mamãe poderia levar a boneca com ela e entregar a minha irmã.".
Meu coração parou de bater. Aquele garotinho
olhou para mim e me disse: "Eu disse ao papai para dizer a mamãe não ir ainda. Eu pedi a ele que esperasse até
eu voltar do mercado." Depois ele me mostrou uma foto muito bonita dele rindo, e me disse: "Eu também quero que a mamãe leve
esta foto, assim ela também não se esquecerá de mim.
Eu amo minha mãe gostaria que ela não
tivesse que partir agora, mas meu pai disse que ela tem que ir para ficar com a minha irmãzinha." Ai ele ficou olhando para
a boneca com os olhos tristes e muito quietinho. Eu rapidamente procurei minha carteira e peguei algumas notas e disse para o garoto: "E se nós contássemos novamente o seu Dinheiro, só para termos certeza
de que você tem o dinheiro para comprar a boneca?
Coloquei as minhas notas junto ao dinheiro
dele, sem que ele percebesse, e começamos a contar o dinheiro. Depois que contamos, o dinheiro iria dar para comprar
a boneca e ainda sobraria um pouco. E o garotinho disse:
"Obrigado Senhor por atender o meu pedido
e me dar o dinheiro suficiente para compra a boneca".
Aí ele olhou para mim e disse:
"Ontem antes de dormir eu pedi à Deus que fizesse com que eu tivesse dinheiro suficiente para comprar a boneca, assim
a mamãe poderia levar a boneca. Ele me ouviu ... e
eu também queria um pouco mais de dinheiro para comprar uma rosa branca para minha mãe, mas eu não ousaria pedir mais nada
a Deus.
E Ele me deu dinheiro suficiente para
comprar a boneca e a rosa branca. Você sabe, a minha mãe adora rosas brancas. Uns minutos depois, a senhora voltou
e eu fui embora sem ser notado. Terminei minhas compras num estado totalmente diferente o que havia começado. Entretanto não
conseguia tirar aquele garotinho do meu pensamento.
Então lembrei-me de uma notícia no jornal
local de dois dias atrás, quando foi mencionado que um homem bêbado numa caminhonete, bateu em outro carro, e que no carro
estavam uma jovem senhora e uma menininha. A criança havia falecido na mesma hora e a mãe estava em estado grave
na UTI, e que a família havia decidido desligar as máquinas, uma vez; que a jovem não sairia do estado de coma.
E pensei, será que seria a família daquele
garotinho?
Dois dias após meu encontro com o garotinho,
eu li no jornal que a jovem senhora havia falecido. Eu não pude me conter e sai para comprar rosas brancas
fui ao velório daquela jovem. Ela estava segurando uma linda rosa branca em suas
mãos, junto com a foto do garotinho e com a boneca em seu peito.
Eu deixei o local chorando, sentindo que a
minha vida havia mudado para sempre. O amor daquele garotinho por sua mãe e irmã continua gravado em minha memória
até hoje. É difícil de acreditar e imaginar que numa fração de segundos, um bêbado tenha tirado tudo daquele pequeno garotinho.
Agora você tem duas opções: 1. Mande esse mensagem
a todos que você conhece; 2. Ou apague esta mensagem, e faça de conta que ela não tocou o seu
coração. Se você mandar essa mensagem, talvez ajude aquelas pessoas que bebem e saem dirigindo pelas
ruas a pensar um pouco mais e ajude a prevenir os acidentes que acontecem durante os feriados.
Preocupe-se um pouco com as outras
pessoas, antes de sair dirigindo bêbado pelas ruas, e pegue as chaves daqueles que julgar necessário, você estará
salvando outras vidas e a sua vida também.
*De um e-mail repassado por Virgínia Badaraco
(Portugal).
Eu não o repassei, apenas o divulguei
neste portal. Meu contributo para conscientização de todos. Rogério Luz
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DIVULGUE A SUA MÚSICA AQUI
O Projecto Memória Macaense abre este espaço para você, músico de Macau ou da
Diáspora, divulgar o seu trabalho. Grave em MP3 e envie a música por e.mail, dando os detalhes (músicos, local de gravação
etc.). Quem puder contribuir também com preciosidades, como gravações das bandas de Macau dos anos 60, por exemplo,
será muito bem-vindo.
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MINHA TRISTEZA
uma canção dos anos dourados
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Perguntei ao Rigoberto Rosário Jr, o Api, sobre esta bela
canção, que tanto tocou nas rádios de Macau, a Vila Verde, que saudades. Até dei uma de sem jeito, se ele não quisesse
falar de um "antigo amor frustado" devido ao título. Eis o que ele falou: "Esta música foi a minha primeira
composição da vida. Compús para o 2° Festival de Mário Thomás, onde fomos classificados em 2° lugar. Depois foi gravada
em disco. Não foi baseada em nenhum fato da minha vida e nem de ninguém que eu conhecia, apenas sonhos de namoro de
um adolescente qualquer. Compús, porque nenhum grupo local tinha composição própria, foi só para contrariar e
salientar. E por que em português? Por que não?Todo mundo só cantava em inglês, por que não cantar em português,
numa terra portuguesa? Sempre gostei de fugir de tabús. Se todos cantavam o ié-ié-ié, os Thunders tocavam músicas para
adultos, por isso que trabalhámos no Estoril, Clube de Macau e Militar, onde outros grupos jovens nem passavam por perto.
Se todos andavam com cabelos longos, eu andava de cabelos curtos. Repara que hoje uso o longo e ninguém o usa mais.
Por que não posso ditar a minha moda? Tenho que seguir a moda dos outros? Só para chatear. Foi assim que os Thunders
realçaram em Macau ... Não imitando os outros."
Sobre a canção MACAU, que considero um quase "hino dos
macaenses", o Api comentou: "A música Macau foi composta para o concurso da TVB (Hong Kong) onde saímos vencedores.
Já tínhamos a "She´s in HK". Então porque não compor uma para Macau também?"
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UNCLE SAM MACAENSE - De um e.mail
que foi repassado de outro, e de outro, etc., até chegar na minha caixa postal, o Luís Machado sugere adivinhar quem é o Uncle
Sam macaense. Pelo título da foto, julgo que seja Nuno de Senna Fernandes que hoje toca bass no conjunto The Rockers
que acompanha o Dóci Papiaçám. Convidavam para um espetáculo em Macau.
... saudades e quanta saudade !!!
Maria João Santos Ferreira (Portugal) escreve-me e lembra com saudades dos tempos do Café Ruby:
"Tenho imensas saudades do Ruby. O meu pai, tinha o seu escritório pegadinho ao Apolo e ia lanchar diariamente
ao Ruby. Nós, quando íamos ter com ele, adorávamos comer uns bolinhos que faziam. Eram redondinhos, com uma base tostada de
bolacha de amendoim, seguindo-se uma altura de pão de lá e acabando com uma cobertura de creme de amendoim. Será que os frequentadores
do Ruby se lembram deste bolo? Que saudades!"
| O AMBIENTE NO CAFÉ COM A NOSSA MALTA |

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| ARTE DE RIGOBERTO ROSÁRIO JR - API |
Cartoon (clique para aumentar) e desenho de autoria de Rigoberto
Rosário Jr. (Api)/S.Paulo/Brasil, que além de ser um talentoso músico, também tem talento de sobra em desenho,
pintura e artes gráficas.
A cultura chinesa presente na nossa vida
Pela vivência com a comunidade macaense de São Paulo, posso dizer:
1. Entre comer num restaurante chinês e um português, tendemos ir mais ao chinês. Falamos mais de boca
cheia sobre a comida chinesa e procuramos levar os brasileiros para experimentá-la. E os filhos seguem atrás;
2. Em todos os lares macaenses, pode-se perceber que os enfeites e decorações chineses predominam. Estatuetas,
o espelho de fông soi, o dragão, os leões, os quadros das 4 estações, lông e mobílias etc. etc. Ah e aqueles containers
(contenedores) recheados de coisas chinesas hein? Os filhos crescem convivendo com tudo isto. Sobre os enfeites
e decorações portuguesas, talvez o galo, a bandeira de Portugal em flâmula, a boneca de Nazaré, os anjos segurando o escudo
português e algumas coisas a mais;
3. Quando falamos da nossa terra aos brasileiros, falamos dos nossos costumes ocidentais misturados aos chineses,
mas predomina-se sempre a parte oriental, sobre a qual falamos muito mais. O que temos a falar da cultura portuguesa,
tal como se vive em Portugal, se não vivemos lá? Somente pelo que aprendemos em livros, ou daqueles felizardos
que lá foram estudar, ou quem esteve lá. Eu somente pude ir lá uma vez, graças ao Encontro de 1996;
4. Quando lembramos da nossa terra ou falamos dela aos filhos, não falamos mais dos costumes chineses? Do teng
teng lou, do lán kuai lau. do chau min, do san má lou e por aí afora? Falamos sobre o Rio Tejo, do Mosteiro dos Jerónimos,
de Dom Pedro ou de Dom João?
5. Às vezes sinto que os chineses ficam mais receptivos quando falamos que viemos de Macau e sabemos falar o
cantonense. Se identificam mais conosco e procuram puxar conversa.
E os exemplos são inúmeros, ocuparia a página toda ou mais. Sinto sim, que pelas nossa origem padrão, a
portuguesa, deveriamos nos preocupar mais em divulgar a cultura portuguesa no nosso meio, pois afinal de contas a nossa nacionalidade
original, mesmo que tenhamos nos naturalizado, é portuguesa, pois pois. Pois a cultura chinesa acaba fazendo mais parte da
nossa memória, independentemente de Macau ter retornado à China. Sobre isto a R.A.E.M. não precisa se preocupar.
Histórias da Juventude em Macau
(por Rigoberto Rosário Jr.-Api)
Eu e o Nito Jorge tínhamos uns 16 anos
na época. Estudávamos na Escola Comercial, ou melhor, estávamos matriculados. As matérias escolares que
não nos interessavam (mais ou menos umas
seis ou sete delas - total eram
oito), simplesmente faltávamos às aulas.
Íamos para o Bilhar Tai-Chung. Na
parte das manhãs, não haviam clientes.
O patrão, já nosso conhecido, deixava
que a gente jogasse, ou melhor praticasse,
o bilhar ou snooker à vontade. Claro que não acendíamos as lâmpadas das mesas para economizar a energia, já que ele
não cobrava nada da gente e, tão pouco, podíamos abrir as cortinas pretas
das janelas, porque os conhecidos dos nossos
pais trabalhavam nos correios,
que ficava no outro lado da calçada. Jogámos
às escuras, apenas com as pequenas lâmpadas do balcão do bar. Praticávamos das 8 até 11:30 da manhã, quase todos os dias
da semana, gratuitamente. Depois do almoço, regressávamos para o Tai Chung (após uma rápida passagem pelo Ruby), onde
já estava lotado de adultos, e nós apenas
aprendíamos novas tacadas vendo-os a jogar. Treinamos às escuras, várias horas por dia e estudando novas tacadas,
só podíamos tornar em ases. Após
meses, já estávamos apostando em dinheiro (em dupla) com os adversários adultos. Fomos apenas uma vez à tal Mei Lai Vá
à procura de novas freguesias, mas vimos que era um ambiente estranho. Havia também uma porta lateral, que dava para
um ginásio ao invés de um café, onde saíam e entravam chineses musculosos com tatuagens de dragões pelo corpo todo. Saíam
e entravam também chineses bem magrinhos e de olhos abugalhados lá de uma sala esfumaçada que ficava no fundo do ginásio.
Seria a sala de regime corporal após ginástica? Éramos inocentes demais para entender todas as coisas da terrinha.
Hoje eu diria: Éramos loucos demais e não sabíamos. De macaense ou português no local, só haviam alguns policiais fardados
ou não,... de serviço ou não. Ganhamos bastante jogos, mas perdemos o ano letivo. Ainda bem, se não podíamos ter
seguido a carreira de jogador de bilhar profissional.
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SITE DE PIADAS
Vamos relaxar e rir um bocado? Faz bem para a saúde. Então visite este site brasileiro de piadas.
Tem até piadas em inglês e grande variedade de humor.
Espero que não liguem para aquelas "piadas de português", que desagradam a muitos conterrâneos e compatriotas.
Enfim é sem maldade!!!
TEATRO (CINEMA) ROXY
por Rigoberto Rosário Jr. (Api)
Nem todos os macaenses chegaram a assistir algum filme no Cinema Roxy em Macau, mas certamente todos
lembram desse nome. Eu e o Chiquinho Conceição estudávamos no Colégio D. Bosco e tínhamos, na época, uns 15 anos de
idade. Na parte das manhãs tínhamos as aulas comuns, ou seja, de português, matemática, ciências, etc. e na parte da tarde
era a vez das aulas de oficina mecânica e desenhos mecânico e artístico. O nosso professor de desenho era o mestre
Luiz Lee, um ótimo professor e muito liberal para aquela época. O que estou utilizando na minha profissão atual, devo
muito a ele. Considero-o liberal, porque ele ditava as suas próprias leis sem se preocupar com a opinião do diretor do
colégio. Todas as semanas havia uma prova de desenho e quem tirasse nota superior a 20 (que não existia, mas ele dava
20 +++) podiam ir para o fundo da enorme sala de aula de desenho para dormir, ler, etc. O moçambicano Emílio Massá
e o filipino Mário Vasquez eram os campeões desse prêmio-privilégio. Em seguida, eu e o Chiquinho juntamos ao grupo, além
de mais dois alunos. Num belo dia, o Chiquinho teve a brilhante idéia de fumar na janela da própria sala e nós ficamos
tremendo de medo que o mestre descobrisse. Acho que o professor viu ou pelo menos sentiu o cheiro do tabaco, mas simplesmente
fingiu que nada acontecia. Por nossa surpresa, a partir da próxima "folga", fomos os seis dispensados para irmos passear
ou para nossas casas. Como tínhamos ouvido falar que o Cinema Roxy mostrava filmes pornográficos (não explícitos
como os de hoje) e não havia a polícia administrativa para o controle da entrada aos menores de idade, lá rumamos num
triciclo como se fôssemos turistas. De pernas cruzadas, cigarros nas mãos e meio encostados no banco, só faltava uma
máquina fotográfica e óculos de sol para completar o cenário. Como a sessão foi boa, repetimos o programa semanalmente.
E num desse dias o Emílio e o Mário nos viram entrar naquele estabelecimento de diversão. No dia seguinte, o mestre
Luíz nos perguntou o que fizemos e respondemos que fomos ao cinema. "Qual foi o filme?". Hesitámos, mas sem querer saiu
"Robin Hood", que estava na verdade sendo mostrado no Cinema Império. O Massá começou a ficar vermelho para segurar
a gargalhada, assim como o Mário Vasquez. Na verdade o filme francês chamava-se "Eles fazem tudo... e elas deixam".
(O Teatro Roxy ficava no Porto Interior no lado em direção à Ilha Verde)
* * *
RESTAURANTE CAFÉ RUBY
uma crónica, segundo Giga Robarts
Na década dos anos 50
existia em Macau na Ave. Almeida Ribeiro, o Ruby que era muito popular especialmente para a população portuguesa daquela cidade.
O Café, chamemos assim este estabelecimento, ficava em frente à parte lateral dos
CTT e tinha à sua esquerda um casarão de 3 pisos que pertenceu a um milionário chinês que fazia esquina com a rua Central
onde estava sediado o comisssariado da PSP, e à sua direita uma loja de sedas, curiosamente não chinesas, mas paquistanesas,
além de tapetes e artigos oriundos do Paquistão do sr. Ajhi e logo a seguir a Tabacaria Filipinas onde se vendiam charutos,
cigarrilhas, isqueiros etc. e, por fim o teatro Apolo lugar onde tanta gente passou boas horas assistindo cinemas. Terminava aqui o quarteirão onde se inseria o Café Ruby.
Pois é deste Café que temos recordações inolvidáveis desse tempo, pois
era aí o lugar onde a rapaziada se reunia quase diariamente, para passarem o tempo em conversa, muitas vezes sem qualquer
objectivo, somente para matar o tempo, já que não havia nesse tempo, canais de televisão, e só havia a Rádio Club de Macau,
que só funcionava a partir das 20 horas até meia noite.Se a gente quisesse ouvir mais música ou os famosos "request", tinhamos
que ligar para a rádio de Hongkong, isto nos dias de bom tempo, porque o contrário quase que não se escutava aquela estação.
Aos fins de semana o Ruby enchia-se de malta, muitos com as suas
namoradas, que depois de um cinema, passavam por lá para tomarem uma chícara de Ovaltine, ou de chá com limão com uns bolinhos
para acompanhar. A partir das 19 horas o Ruby começava a ficar com poucas pessoas, já que a maioria regressava à casa para
jantar e só os solteiros e na maioria militares em comissão de serviço em Macau, ficavam também para jantar. E foi assim que
durou, durante muitos anos, eu penso que o Café esteve aberto até fins dos anos 70, quando já se vislumbrava as grandes mudanças
na cidade
Eu próprio era assíduo frequentador do Ruby, primeiro namorando a minha primeira
mulher Maria Fernanda de Senna Fernandes e mais tarde já casado, o hábito continuou a mandar na minha vontade e daí continuei
a frequentar aquele estabelecimento comercial. Nos anos 60 após os graves incidentes da revolução cultural com início no dia
3 de Dezembro de 66, a grande reviravolta deu-se em Macau. Muitos dos velhos residentes deixaram a terra, outros pediram transferência
e alguns até morreram de susto ou de desgosto e a viragem começou aí. Macau viveu a partir dessa data, uns maus anos de marasmo,
tristeza e bastante humilhação e o governo português tudo fez para aguentar o leme da terra. Mas o mal estava feito e as coisas
nunca mais foram iguais... a decadência do Ruby e de tantos outros estabelecimentos comerciais, foi irreversível até que surgiu
o 25 de Abril de 74, a Revolução dos Cravos em Portugal.
Macau de passo a passo começou a reconstruir o que em poucos anos
destruíram com a Revolução Cultural na China. Mas o Ruby já estava moribundo e em fins dos anos 70 fechou de vez, deixando
apenas na memória daqueles que o frequentaram nos "anos de ouro". E foi esta a história de um Café muito popular e famoso,
antes de nascer o restaurante SOLMAR na rua da Praia Grande, que seria então frequentado pelos macaenses e portugueses que
trabalhavam em Macau. Mas o "sabor" era outro, nada era igual ao Ruby, os tempos eram outros e os preços também. Eu escrevi
esta crónica de memória e se houver alguma falha peço para me corrigirem, se acharem que vale a pena. JORGE ROBARTS (Portugal)
| CLIQUE PARA AUMENTAR |

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| NO LADO ESQUERDO PODE-SE VISUALIZAR O ANÚNCIO DO RUBY. MACAU 1950 |
| MACAU - 1960 |

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| AV.ALMEIDA RIBEIRO, AO LADO DO TEATRO APOLLO. NA ÉPOCA AINDA EXISTIA O CAFÉ RUBY |
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Divulgação em 07 de Agosto de 2003
páginas visitadas desde
30.08.07
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