MÁRIO TOMÁZ - Macau
agradece !!!
Nos
anos 60, era dos Beatles e do Twist, desembarcava em Macau, um novo batalhão do exército português para substituir um outro,
cujo comissão tinha chego ao término.
Neste
contingente, vinha um sargento meio calvo com um cavaquinho debaixo do braço e que se chamava Mário Fernando Tomáz.
Era
um sujeito com uma visão comercial. No início, formou um quinteto com os seus
amigos, todos militares. Mas logo percebeu que faltava em Macau, algo que tinha
na Europa e na América. Os festivais de música.
Não
pensou duas vezes. Reuniu algumas bandas e conseguiu o patrocínio do Turismo
de Macau e o apoio de Hó Yin, que cedeu o Teatro Cheng Peng. Assim se deu
ao início dos festivais de música em Macau.
Os bilhetes
do primeiro Festival esgotaram-se rapidamente. As bandas participantes eram os
Colourful Diamonds, Grey Coats, Jorge Silva e seu Conjunto e os The Lovers, Estas
bandas executavam música americana e inglesa, a moda da época. Para variar o
repertório, foram também convidados o Conjunto Musical da Capitania dos Portos, com a sua música instrumental dos tempos das
tunas, o Grupo do Folclore Regional Português, além do Mário Tomáz e o seu Conjunto, com as suas músicas de fox e bolero.
O
festival foi dividido em 2 dias. O primeiro foi num sábado chuvoso do dia 9 de
Novembro de 1963 e o segundo, no dia seguinte, também com lotação esgotada. Após muito
ensaio nas suas casas, a rapaziada estava todos nervosos, afinal era a primeira vez que se apresentavam num
palco. No final do espetáculo, António Nolasco do CIT de Macau, anunciava o ganhador pela
votação do júri. Eram os Grey Coats em 1°, Mário Tomáz e o seu Conjunto em 2°, seguido dos The Lovers.
Não
tardou para acontecer o 2° festival, também organizado por Mário Tomáz. No
dia 15 de Agosto de 1964, o público novamente lotou o Teatro Cheng Peng, desta vez com 9 conjuntos, sendo as novidades - os
Strangers, Os Teicos e Lês Quatre de Lys. Neste festival que também aconteceu
em 2 dias seguidos, o público pode ouvir a estréia da 1ª. canção composta na língua portuguesa, em Macau, por Rigoberto Rosário Jr. (Api) com os seus 15 anos - A Minha Tristeza. Os
Grey Coats, com uma formação totalmente nova daquela do 1° Festival (veja a Página dos Greycoats) inovaram
também com uma versão em português do "A Little Bit of Soap" - Maria Tráz a Sopa,
feita por seu baterista Diamantino Pereira. Mário Tomáz e o seu renovado conjunto,
emocionou a todos com A Noiva (The Wedding Song).
Os vencedores foram novamente os Grey Coats em 1°, os Colourful Diamonds (com Api)
em 2°, e o conjunto do Mário Tomáz em 3°.
Um
dia chegou ao término, o termo de comissão dos militares que compunham o conjunto do Mário Tomáz, inclusive o próprio. Com isso, dissolveu-se o conjunto com o seu retorno a Portugal, permanecendo apenas
em Macau, o contra-baixista Manuel Ramos, que casou-se com a macaense Yolanda da Luz.
Uma certeza - a gratidão dos jovens de Macau ao Mário Tomáz. Ele
foi o responsável pelo início dos festivais de música em Macau, a que se seguiram outros, como o Top of The Pops em 1967.
Inclusive, pode ter estimulado a formação de novos conjuntos musicais, como os Flipsiders, cujo vocalista era o
Dr. José Manuel Rodrigues. A sua banda era inovadora e com estilo bem próprio, o que os distinguia de outras.
Enfim isto foi - os Anos Dourados
de Macau. Belos tempos. Éramos felizes e não sabíamos ou sabíamos? E ainda tivemos
coragem de deixar Macau ... como aconteceu comigo.
Rogério P.D. Luz
(Extraído de um artigo escrito por Rigoberto Rosário Jr. para a Revista Macau)