Veja abaixo as Páginas das 22 receitas publicadas
COZINHADOS DE MACAU, por Celestina. O livro de receitas,
autografado, era da minha mãe. Com o movimento em Macau em prol da culinária macaense e em vista da fundação da
Confraria da Gastronomia Macaense, o PMM dá a sua mão para ajudar na sua divulgação. A intenção também é de divulgar
para o mundo todo, esta obra singela da Celestina que elaborou um livro de receitas, quase que caseira, com uma
intenção tão simples conforme poderão ver pela dedicatória abaixo, porém significativa.
As receitas serão inseridas progressivamente nesta e noutras páginas sequenciais.
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Dedico este pequeno livro de Cozinhados
de Macau, às
nossas meninas e às pessoas amigas, para dele poderem tirar o maior proveito, esperando que estes bons petiscos persistam através
de muitos anos e que ao mesmo tempo sejam do seu paladar.. Se por acaso houver
deficiências queiram fazer o favor de as relevar.
A autora,
Maria
Celestina de Mello e Senna
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A culinária de diferentes portos
Um toque de Moçambique, outro de Malaca e da Índia, aos quais ainda
se juntam os ingredientes da China às receitas de Portugal: assim nasce a culinária macaense, uma gastronomia centenária fortemente
marcada pela confluência de sabores
“Dizer que a culinária macaense é um parente pobre da gastronomia chinesa
é errado, tal como também o é dizer que é muito parecida à comida portuguesa, porque é muito mais do que isso”. Quem
o afirma é Hugo Bandeira, membro fundador da “Confraria da Gastronomia Macaense”, argumentando que a comida macaense
é uma mistura dos vários ingredientes que os portugueses foram recolhendo na rota de Portugal até Macau. “A culinária
macaense até nos pode fazer pensar que já provamos algo parecido em Malaca ou qualquer coisa semelhante na Índia ou Moçambique,
porque eram exactamente os portos por onde passavam os portugueses, recolhendo ingredientes que acabavam por ser misturados
em Macau”, justificou o também o professor do Instituto de Formação Turística.
Uma opinião partilhada pelo presidente da Associação Promotora da Instrução
dos Macaenses (APIM), José Manuel Rodrigues, que realça que a gastronomia macaense “é, por natureza, uma grande mistura
de diversas culinárias existentes em vários locais do mundo”. Mas o mesmo responsável ressalva que, mesmo com toda esta
fusão de culinárias, a gastronomia macaense “tem o seu sabor próprio e genuíno”. “Ao longo dos séculos adaptamos
culinárias de diversas origens, mas mantivemos a originalidade da nossa cozinha”, frisou o dirigente.
O projecto, contudo, foca outras áreas além da culinária em si, tais como
a investigação e a formação, tudo para “dar a conhecer mais da cozinha tradicional macaense, uma gastronomia de fusão”,
ressalvou Hugo Bandeira. Para tal, a confraria irá proceder à recolha de receitas de várias famílias de Macau, algo que servirá
também para aprender um pouco mais sobre a gastronomia local. “Temos que chegar a um consenso sobre o que é a comida
macaense, porque é um conceito complicado que com o passar do tempo dilui-se cada vez mais”, alertou Hugo Bandeira,
que defende a modernização da culinária, “mas sem afectar a base dos ingredientes e o sabor”.
*extraído do Jornal Tribuna de Macau ( www.jtm.com.mo ), edição de 10/Janeiro/2007
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Os Macaenses gostam tanto da sua culinária, que até dedicam canções a ela.
Armando Santos, talentoso macaense, escreveu a canção COMIZAINA, na qual, no dialecto macaense, o patuá, fala das nossas comidas, inclusive
a chinesa. Ouça-a, acompanhanco com as letras da canção logo abaixo, e sinta o sabor virtual da culinária que pode
ser degustada em Macau, de dar água na boca. (clicar na seta, se necessário, 2x para ouvir a canção)
O PATUÁ, dialecto macaense, é candidata a Patrimônio Mundial Intangível (Imaterial)
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as letras da canção
COMIZAINA
Armando Santos
QUIM JÂ FALÂ, NÔS MAQUISTA SABE GOZÂ
DIVERSA SÃ GOSTÂ, COMÊ ATÉ BARIGA
INCHÂ
NÔS NON TÊM CULPA, TUDO HORA SÃ TEM
PASSÂ
TANTO COMIZAINA, QUE NÔS SENTI TÂ
REBENTÂ
NÔS TEM, BAFÁSSÁ, CHAU CHAU PELE
E ÁDÊ CABIDELA
NÔS TEM, MARGOSO-LORCHA, PEIXE CUCÚS
E CAPELA
NÔS TÊM, DIABO, PORCO SALMORADO OU
COM ‘CHAMPIGNON’
TÊM CASQUINHA, MINCHI, LAPA, TÊM
PANADO DE CAMARÃN
QUELORA ARANJÂ, FESTA FESTA PÂ DANÇÃ
TANTO COMIZAINA, NÔS SÃ NADI LÔGO
FALTÃ
NOSOTRO SÃ MAQUISTA, NÔS SÃ CAPAZ
COZINHÃ
QUELORA FALÂ COMÊ, NOSOTRO TUDO SÃ
GOSTÃ
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NÔS TEM, COSCURÃO, CHILICOTE, COM LACASSÃ
NÔS TEM, BICHO-BICHO,
CABELO DI NOIVA E SAMOSA
NÕS TÊM, BOLO MENINO, PÃO RECHEADO,
‘CHEESE TOAST’ OLÂ
BOLO MÁRMORE, ‘HÁ TÓ SI’,
FARTI NÔS TAMBEM GOSTÂ
CHINA CORÊ RUA, TUDO HORA TÂ CARTÂ
TANTO BUBURIÇA, PÂ COMÊ QUI NÔS REBENTÂ
VOSÔTRO TÊM NA CASA, COMIZAINA TÂ
PASSÂ
CUSA SI SABROSO, FAZE NOSÔTRO TÂ
BABÁ
NÔS TEM, ‘CHU CHEONG FAN’,
‘CHU HONG CHOK’ OU ‘KÁP TÂI’
NÔS TEM, ‘LÓ PÁK KÔU’,
APABICO COM ‘KÓK CHÂI’
NÕS TÊM, ‘HÁM CHI PEÁN’,
NGÂU LEI SOU’ E ‘IAU CHAU KUAI’
‘SÔN KOU’, ‘ANG
KOU’, LÓ PÁK KOU’, PÂ COMÊ ATÉ BARIGA CÂI
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VÔS NUNCASSA, MEDO FOME NÃO TÊM COMÊ
SE NUNCA PASSÂPORTA, CHOMA LOJA LÔGO
TRAZÊ
SÃ DIA OU SÃ NÔTE, COMIZAINA NADI
FALTÂ
TEMPO QUENTE, TEMPO FRIO, SÂI SOL
OU CÂI CHUVA
‘MIN PAU’ QUENTE-QUENTE,
CHINA NA RUA TÂ GRITÂ
‘CHÁ SIU’, ‘SIU
ÁP’, SIU IÔK, QUI SABROSO PÂ TAFULÂ
‘CHI MA VU’ COM
‘HONG TAU CHÔK’, SÃ QUI BOM PÂ LAMBUSÂ
‘TAU FU FÁ’ COM ‘TONG
IUN’, NÔS TÂ DALE QUE NADI PARÂ
VOSÔTRO TÂ OLÂ NÔS QUI TANTO COISA
COMÊ
TUDO QUI SABROSO, QUE NÔS NÃO PODI
ESQUECÊ
NÔS UIDE GOSTÂ, FERÂ NOSOTRO SÃ BALICHÃN
SÃ ASI QUI NÔS FALÂ, NÔS SÃ MAQUISTA
DE CORAÇÃN.
(Música e Letras por Armando Santos)
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DIRETÓRIO
as receitas por ordem alfabética
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Arroz carregado e porco balichão tamarinho
Arroz gordo
Bifes recheados
Bife sal-pimenta de Macau
Bife Teresa
Cabidela de pato
Caldeirada à moda de Macau
Caldo de raiz de lótus (lin ngau) - para as pessoas fracas
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Camarões grandes recheados
Camarões panados
Capela
Caranguejo em casquinhas
Caril de galinha
Caril de peixe
Chai de bonzo
Cilicotes fritos
Chouriço vinho de alho
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Chut-ney de bacalhau
Couve-flor frita
Couve recheada
Cozido à moda de Macau
Diabo
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Farinha chau-chau
Feijoada à moda de Macau
Galinha assada
Galinha bafá-assá
Galinha embriagada
Galinha com gengibre
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Galinha kai pin
Galinha molho de sutate
Inhame chau-chau com lap-yôck
Iscas à moda de Macau
Lombo recheado
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